Álbum: Little Boots – Working Girl

Como o nome “Working Girl” sugere, o trabalho de Little Boots é uma coleção de faixas brilhantes que se interconectam e representam as vivências, frustrações e aspirações que se tem no trabalho. Claro que podem facilmente servir de metáforas para um relacionamento, dependendo de quem escuta o álbum. Sabemos que relacionamento dá trabalho!

A primeira faixa (Intro) é como se você ligasse pra uma empresa e ouvisse aquelas mensagens automáticas com opções de discagem, sabe? Mas no final recebe uma ordem: “Go make something happen” (Vá fazer algo acontecer”).

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Com Working Girl, faixa título com uma pegada dance e orgânica e uma batida contagiante, percebemos o rumo que o disco tomará. “It’s so hard for a working girl” (É tão difícil para uma garota trabalhadora) Little Boots declara, expressando os sentimentos de muita gente! Em No Pressure ela diz “I see he treats you like a stranger, though you’ve been here a hundred times before” (Eu o vejo tratar como uma estranha embora, embora você tenha estado aqui mil vezes antes), falando de como se sente perante a um chefe no trabalho, ou mesmo a um ente amado. As indignações dessas faixas são deixadas de lado na sexy e poderosa Get Things Done, que transmite segurança ao bravar “We go out, we stay late, we make no mistake, we know how to get things done” (A gente sai, a gente fica até tarde, não erramos, nós sabemos como fazer as coisas). Taste It quebra um pouco o ritmo dessa alegria, mas ainda é dançante.

Mostrar-se vulnerável nas letras não parece ser problema para Little Boots. Na profunda e sentimental Real Girl, ela quer receber valor e, ora, como o título diz, ser tratada como “garota real”. Heroine, com seus vocais flutuantes e suaves, é sobre pessoas que costumavam ser próximas e não são mais (aqui mais uma metáfora bem evidente trabalho/relacionamento pra quem adora duplo sentido em interpretações). Help Too é pra deixar claro que até as pessoas mais fortes precisam de ajuda ás vezes e Business Pleasure é cheia de reclamação e stress na qual se ouve “I’m not your girl in the machine” (não sou sua garota na máquina). Interlude é mais uma brincadeira sarcástica com as chamadas telefônicas das empresas e The Game mostra que é inevitável que joguemos “o jogo” de lidar com trabalho.

As três faixas finais (considerando a faixa bônus) dão um desfecho interessante. Paradise fala sobre a saída do trabalho, de voltar “ao mundo real”. A feliz e bem eletrônica Better In the Morning expressa o sentimento de cansaço, mas a esperança de que no dia seguinte você se sentirá melhor e começará um novo dia! A faixa bônus Desire começa com batidas sinistras e revela as ambições da nossa garota trabalhadora. “You got me begging: please, show me something real” (Você me tem implorando: por favor, me mostre algo real). Uma súplica por um bônus ou uma promoção ao chefe? Ou uma demonstração de afeto da pessoa amada?

Olha, se eu fosse o chefe da Little Boots, depois desse disco eu dava um enorme bônus e até pensaria em promovê-la.

Veredicto: 80/100

Faixas que você tem que escutar senão estará perdendo tempo de vida: “Working Girl”, “No Pressure”, “Heroine”, “Better in the Morning”