O samba da Mariana!

Depois de ter lançado quatro álbuns aclamados pelos críticos da MPB, e ser uma das idealizadoras e produtoras de um documentário sobre Dominguinhos, Mariana Aydar está de volta ao batente com mais uma obra prima: Pedaço Duma Asa.

 

Mariana continua retratando a contemporaneidade em sua música, e isso faz com que ela misture – perfeitamente – vários ritmos diferentes, sem deixar de representar a boa música popular brasileira, à altura de um Chico Buarque.

Como soou dessa vez? Só ela pra definir:

“— Vejo o disco como de samba, Nuno é sambista antigo. ‘Atrás dessa amizade’ parece Roberto Ribeiro. Nuno vem da escola de Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola… Cabia botar tambores africanos, uma sonoridade que eu já vinha trabalhando com Duani desde ‘Cavaleiro selvagem aqui te sigo’ (de 2011) — explica, seguindo no jogo de luz e sombra. — Ao mesmo tempo, Nuno dialoga com o Caetano de hoje, e a galera dele (nomes como Romulo e Passo Torto) não tem medo de mexer no samba. Porque o samba é um espírito que encarnou no Brasil. E o importante é esse espírito aparecer e, independentemente da roupa que está vestindo, falar: ‘Eu sou o samba’.”

Pra mim, ficou assim ó:

1. Mamãe papai (Nuno Ramos e Clima) – abre o disco de forma forte e concisa.
2. Dedo duro (Nuno Ramos e Clima) – a Mariana que todos conhecemos, essa vem na pegada “Cavaleiro Selvagem” de ser.
3. Poeira (Nuno Ramos e Mariana Aydar) – brasilidade à flor da pele! Arrepia!
4. Atrás dessa amizade (Nuno Ramos) – lembra muito os vocais da própria Aydar em sua versão pra “Vai vadiar”. Esse é um samba gostoso demais, lembra das tristezas do carnaval, consegui até imaginar o clipe numa das vielas de Salvador ou do Rio.

5. Samba triste (Clima) – aqui, entristecemos. Canção fina, de melodia e vocal tristes. Ahhhh Mariana! Assim você estraçalha nossos corações! Músicaço! Dica: escutar essa num fim de tarde, sozinho.

6. Saiba ficar quieto (Nuno Ramos) – seguindo a vibe da música anterior, só pra não parar do nada. Uma sequência perfeita!

7. Isso pode (Nuno Ramos) – a tristeza deu espaço à agressividade! “tô de bode”, como ela canta música. Isso não só pode, como deve! Samba-rock pra vocês!

8. Pedaço duma asa (Nuno Ramos) – normalmente as faixas que dão título aos álbuns não são tão boas, mas olha, essa tá foda!  
“teu defeito é só amar”, ela diz. Se for pra amar e cuspir esse amor assim, tá valendo.
9. Dentro das rosas (Nuno Ramos e Clima) – quem já viu a Mariana ao vivo, vai saber exatamente o que senti e vou continuar sentindo, até saber como vai ficar isso no palco. Gostosura!

10. Caia na risada (Nuno Ramos e Clima) – Mariana Aydar! Impossível lembrar de qualquer outra (o). 

11. Cabou (Nuno Ramos e Clima) – em clima de despedida, ela nos amolece novamente. Mas deixa uma esperança… “cabou pra renascer”.

12. Barulho feio (Nuno Ramos e Romulo Fróes) – aquilo que começou no meio de uma tarde, seguiu pelo anoitecer, e encerra deitado no chão, encolhido.

 

E pra vocês?

 

Resultado: 85/100

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