INDEPENDÊNCIA!

É tudo muito óbvio! Vivemos num país onde o necessário está precário. Falta investimento na EDUCAÇÃO, na saúde, na infraestrutura, em tudo, em tudo. E hoje, no dia em que lembramos do nosso processo de independência, venho vos lembrar que os artistas de quem tanto falamos aqui – por terem suas influências – estão cada vez menos envolvidos nas causas sociais. Não acredito que hoje só se tenha como inspiração o sexo, as drogas e o exibicionismo. Venho clamar por mais Cazuzas, Renatos, Chicos, Caetanos, Gilbertos, Geraldos, e outros! Precisamos de artistas e canções que façam a massa pensar (e agir)!

Nem é preciso ir muito longe, basta voltarmos a época da ditadura, com o golpe de 1964, onde qualquer pessoa que se mostrasse contrária ao regime, era perseguida. Chegou até a existir uma divisão que fiscalizava todo o material produzido por atores, musicas e pintores – DCDP (Divisão de censura de diversões públicas), logo, controlavam tudo o que era apresentado ao público.Mas isso não bastou para que os artistas – que sofriam censura por parte do governo – colocassem a boca no microfone e cuspissem toda a indignação, mesmo que tivessem sido exilados por isso, como foi o caso de Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil.

Agora vou apresentar a canção que se tornou hino de resistência ao movimento civil e que fazia oposição à ditadura. Falo da canção do Geraldo VandréPara Não Dizer Que Não Falei das Flores. Na época, ele era militante estudantil e participava ativamente do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), e foi exilado do país ao se apresentar, no Festival Internacional da Canção (1968), onde cantou a música.

Com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque, as coisas não foram muito diferentes.

E se você está pensando que só os homens tem uma posição dentro das causas sociais brasileiras, mero engano.

Falando sobre o choro de Marias e Clarisses, Elis Regina fazia sua alusão às esposas do operário Manuel Fiel Filho e do jornalista Vladimir Herzog,  assassinados sob tortura pelo exército.

Rita Lee representava a força feminina e chegou a ser presa na dura época da ditadura militar, e há não tanto tempo atrás, ao fazer um show, a cantora voltou a se deparar com as autoridades. Na ocasião, ela tinha visto os policiais em ação na platéia e pediu para que eles parassem, em seguida, a cantora se exaltou, parou o show, xingou eles, acusou eles de terem agredido seus fãs, e foi encaminhada à delegacia ao retornar para o camarim.

E são tantos outros artistas que realmente viveram períodos de conflitos contra o nosso sistema, que se eu for mencionar todos, ficaremos muito informados, mas entediados.

Recentemente, tivemos a grande manifestação dos 20 centavos, onde milhares de brasileiros se sentiram abusados quando foi autorizado pelo Governo Federal o aumento das tarifas do transporte público em todo o país. Em seguida, exigiam saúde e educação padrão FIFA (devido ao fato de as manifestações terem ocorrido em datas próximas à Copa do Mundo que posteriormente foi sediada no Brasil), dentre várias outras coisas que renderiam um outro post exclusivo.

O momento era oportuno, mas não tivemos um cantor (realmente renomado) envolvido na causa, não tivemos um hino, não tivemos inspiração, e o gigante que tinha acordado, voltou a dormir.

Por isso, necessitamos de artistas que nos inspirem, que façam com que pensemos de forma prazerosa, mas não menos incisiva. E há muitos que até tentam, trazem uma mensagem aqui, ali, acolá, mas é pouco, é muito pouco para conter toda merda com a qual eles lavam a nossa cara todos os dia.

Atualmente, temos a Pitty como grande influenciadora de um (grande) público jovem e revolucionário, e a cantora – apesar de não participar diretamente de nenhum ato político – não mede palavras em sua conta do Twitter quando precisa se posicionar. Recentemente, ela manifestou sua opinião sobre o protesto contra o governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), e depois foi duramente atacada em sua página, mas não deixou barato.

“Uau. Se vocês vissem nas minhas mentions o jorro de ódio irracional desde ontem… Diálogo zero, só ofensas preconceituosas. De xingamentos impublicáveis, a xenofobia, machismo e ‘comunista’. E olha que eu nem defendo o PT.”, disse ela.

Então nos ensina a protestar, Pitty, dai-nos uma música na qual você possa nos inspirar a fazer esse protesto acontecer de verdade!

E se a pergunta feita foi: por que não fazem tanto sucesso esses poucos artistas que tentam se envolver ou chamar atenção da nação para esses problemas? 

A resposta é: Diga-me o que tu escutas e eu te direi quem és.

“Não haverá mudança comportamental enquanto o bandido for parar em prisões miseráveis, para viver em condições subumanas e sair de lá pior do que quando entrou. É preciso trabalho, tanto dentro quanto fora. É preciso investir MUITO MAIS em educação. É preciso haver conscientização familiar, já que a base é ela. É preciso parar de dar bolsas para tudo e, gerar mais empregos. Porque não criar uma bolsa de estudos onde o dinheiro seja aplicado diretamente na escola onde a criança estuda? Ou seja, é preciso mudar quase tudo, voltar ao ponto de partida, porque está tudo errado! Revoltas, greves, quebradeira… não vai mudar em nada a nossa situação, só piora. Ou então, explode tudo de uma vez.” – William Santos

Logo, não sei ao certo se temos o que comemorar nessa data, mas trouxe pra vocês (nova e velha geração) uma lista com músicas que vão nos inspirar – talvez – a irmos para as ruas novamente e gritar por essa tal independência, não pelo que não terá fim, sim pelo que podemos mudar (de verdade) de agora em diante.

Antes de qualquer coisa, é preciso que haja uma revolução interna em cada cidadão. E que a gente nunca perca a nossa essência, pois não há no mundo pessoas como nós!

“E que em cada coração, árido ou concreto
Pulse uma semente de primavera
Como a luz que da janela emana raios de coragem
Coragem é agir com o coração
Coragem é agir com o coração
E que pra cada ato de coragem nasça uma flor
Uni-vos em torno da luz
Há um horizonte inteiro de amor dentro de cada um de nós
Para encontrá-lo basta acreditar que sim
Da luz eu sou, na luz eu me movo
Da luz eu sou, na luz eu me movo
O amor é a única revolução verdadeira!” – Detonautas