Sertanejo: Tá cansativo, tá saturado…

Em junho desse ano, um talento e um grande nome ainda em ascensão da música sertaneja faleceu de forma trágica, causando uma comoção de níveis inimagináveis entre o público e a imprensa.

Poucos dias depois, o jornalista Zeca Camargo publicou um texto para uma coluna da Globo News, onde questionava toda essa comoção com o caso, causando uma onda de repúdio dos “fãs” e família (o jornalista inclusive enfrenta na justiça um processo por conta desse texto, movido pela família do cantor).

Certo ou errado (quem sou eu para questionar a liberdade alheia de expressar sua opinião sobre qualquer situação), porém me abriu os olhos e me fez refletir sobre a música sertaneja, de outro ponto de vista, mas com as mesmas características críticas que Zeca utilizou em seu texto.

O que quero levantar aqui, é um questionamento sobre esse excesso que vemos hoje em dia. Quanto nomes do estilo existem e estão a todo vapor, emplacando sucesso após sucesso, sem de qualidade ou não.

Mas então, o que faz da música sertaneja esse, digamos, sucesso?
Seria uma linguagem de fácil entendimento (afinal, ao que parece ninguém quer perder tempo tentando interpretar letras de Chico Buarque e semelhantes). Ou seria o que brasileiro quer ouvir?

Então por qual motivo a música sertaneja causa tanto frisson, tanta comoção? Por que a mídia sede cada vez mais espaço a esse estilo se comparar a outras facetas da música brasileira?

É mais que clara, mais que óbvia a falta de referências culturais nos dias de hoje. É mais clara ainda a falta de espaços, recursos, público e etc. a pessoas verdadeiramente talentosas!

O que faz ainda desse nicho musical um mercado (sim, MERCADO) muito, mas muito lucrativo, onde novos talentos (nem sempre tão talentosos assim) emergem dia após dia, na esperança de ter seu lugar ao sol, de um grande sucesso. Mesmo sabendo que para conseguir uma carreira musical de sucesso realmente, há um longo caminho dificílimo.

Tudo isso tem tornado a música nacional cada dia mais cansativa e repetitiva. Letras que falam das mesmas coisas, sempre – amor não correspondido, bebedeiras, baladas e mais baladas e a “mulher objeto” são os temas mais recorrentes  (notaram também que as mulheres são minoria?).

Não sei ao certo o que ocorre com nosso cenário musical, só sei que a música sertaneja tem tornado tudo chato, saturado, cansativo. O próprio estilo tem se desgastado.

Temos bons nomes na música sertaneja? Temos sim. Assim como em qualquer outro estilo musical.

Mas também temos muitos outros nomes ruins, muito ruins! E isso tá chato!