Deerhunter e a tragédia pessoal de Fading Frontier

A banda de indie rock Deerhunter lançou agora em outubro o seu sétimo disco. Eles classificam o próprio som como ambient punk. Seja lá o que isso quer dizer isso faz com o que a banda tenha certa liberdade poética em circular por diversos estilos que vão desde o post-punk até mesmo o pop.

Formada em 2001 em Boston a banda já teve diversas formações. Apenas o vocalista Bradford Cox e o baterista Moses Archuleta são da formação original. Outros oito integrantes já saíram da banda deixando o espaço para Lockett Pundt, guitarrista que em algumas faixas assume o papel de vocalista – desde 2005 e Josh McKay, baixista desde 2013.

Fading Frontier, o novo disco da banda, marca o retorno dos caras à cena musical. Em dezembro do ano passado o vocalista se envolveu num sério acidente de carro o qual ficou gravemente ferido. De acordo com Bradford o acidente serviu para “apagar todas as ilusões” e ainda admitiu ser um ponto de virada em sua vida.

O semanário inglês NME deu nota máxima ao disco classificando o álbum como “brilhante” – nota 5/5. O jornal The Guardian publicou que Fading Frontier possui faixas que soam tão comerciais que pode transformar a banda do meio cult num sucesso popular. Nota 4/5.

As nossas reviews aqui no site tentam sempre explorar a nossa relação com o disco e não uma avaliação técnica, cheia de palavras bonitas e que muitas vezes não fazem sentido algum. Ouvi o disco sem muito conhecer da banda – o que de certa forma é bom pois não cria uma expectativa ou uma tendência em julgar e comparar com trabalhos anteriores.

Duas faixas do disco merecem destaque especial. All the Same que abre o álbum e Snake Skin. Ahh. vale ouvir Broken também que traz o drama do acidente sofrido pelo vocalista no ano passado. São faixas que até dá alguma vontade de ouvir novamente. Eu fiz o esforço. Ouvi o disco inteiro algumas vezes e estou ouvindo novamente enquanto escrevo este texto. Coloquei ele em diversas situações e horários do dia diferentes para ver se a perspectiva e a resposta que eu teria dele mudaria. Não mudou apesar de achar que ele é melhor se ouvido com fones de ouvido do que sem.

Não perca seu tempo com Living My Life, Duplex Planet e Leather and Wood. O resto é resto. Ainda bem que o disco tem apenas nove faixas e duração aproximada de 36 minutos. Seria uma tortura se avançasse mais do que isso.

Só ao escrever o texto me dei conta na quantidade de sensações sem sentido que o disco me acrescentou. Não dá para falar que é um disco ruim. Ele é um disco bem produzido. As letras não são ruins mas a sonoridade não caiu bem com nenhum momento que eu estou passando / vivendo e quando não dá o match a gente pula pro próximo. Mesmo assim, tenho certeza que muita gente deve estar curtindo por aí. O disco certamente foi feito para eles. Sendo assim a banda já fez o seu papel!

Nota: 60/100

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