Álbum: Ellie Goulding – Delirium

Ellie disse querer fazer um “grande pop álbum” e não mediu esforços para conseguir o feito. Recrutou um dos principais produtores do gênero: o sueco Max Martin, que já produziu pra tanto artista pop (Pink, Backstreet Boys, Avril Lavigne, Britney) que o próprio já perdeu a conta.

A entrada Intro (Delirium) é dramática e gera uma certa ansiedade pelo restante do álbum. Aftertaste não decepciona nas expectativas: a faixa se assemelha a seus trabalhos anteriores, Ellie mostra características vocais inigualavelmente suas, com uma letra bem realista (“One thing I know that will always remain, and that’s the aftertaste”/”Uma coisa que sei que sempre irá permanecer, e é o ‘aftertaste'” – aquele gosto ruim na boca que fica após comer ou beber alguma coisa, sabe?).

Something In The Way You Move é repetitiva e pegajosa. Não de uma forma negativa, claro. Mas mostra que Ellie realmente está querendo ir a fundo no pop e talvez esteja disposta a abrir mão de sua essência para isso. Keep On Dancin’ faz jus ao título e realmente te faz querer sair dançando por aí, com um refrão orgânico e com assobios gostosos. Porém, é tão repetitiva quanta a faixa anterior. E quando você pensa que as faixas repetitivas vão acabar, a próxima faixa é On My Mind, primeiro single do disco. A frase “Why I got you on my mind” é cantada 8 vezes no refrão! No entanto, a letra agressiva e com sacadas inteligentes como “You don’t mess with love, you mess with the truth” (Você não “mexe” com amor, você “mexe” com a verdade) mostram como Goulding ainda é uma verdadeira poeta quando quer. E a guitarra vibrante é bem atrativa.

Na quase ingênua (pra não dizer infantil) Around U Ellie flerta novamente com a dance music. Em Codes ela quer que você seja direto quando diz, num refrão viciante, “Stop talking in codes” (“Pare de falar em códigos”). No entanto, ao ouvir essa faixa, temos a impressão de já tê-la ouvido, devido a semelhança que muitas faixas apresentam entre si. É um jogo comigo Elena? É bom você fazer um clipe pra essa Codes hein! Holding on for life é sim, repetitiva, já não é mais uma surpresa. Mas por ser uma canção crescente, cai bem nesse caso. Na sequência, Love Me Like You Do, o hit que a gente já conhece, exalando amor com o boy bonzinho com lado “malvado” (ora, foi usada na trilha sonora de Fifty Shades of Grey).

Don’t need nobody é simplesmente uma delícia orgânica, que parece um descarte do seu primeiro trabalho (o maravilhoso álbum Lights). Don’t Panic brinca com sons tribais, não é exatamente uma candidata a hit, mas soa como a trilha sonora de uma típica comédia-drama, tem a essência de Ellie. Ao ouvir We Can’t Move to This já é possível imaginar Ellie performando, jogando o cabelo, pulando e mexendo seu quadril ao som do tambor potente do refrão. Uma ironia (proposital) que uma canção tão dançante e alegre tenha este título.

Army Lost and Found também já tínhamos conhecimento: uma baladinha bem pessoal e uma uptempo cheia de sensibilidade e potencial “dançabilidade”. Devotion mistura a batida techno e um looping no refrão na palavra “Devotion” com uma letra afetiva com menções como “I am caught floating in your gravity” (Fui pega flutuando na sua gravidade). Scream It Out, por fim, fica na zona de conforto de Ellie.

Se a intenção aqui era fazer um “grande álbum pop”, missão cumprida. Uma leve perda de essência e experimentação talvez seja sentida. Porém, comparando Ellie a várias colegas de gênero musical, suas propostas românticas são mais adultas e talvez essa seja sua marca registrada.

Veredicto: 75/100

Faixas que você tem que escutar senão estará perdendo tempo de vida: “Codes”, “Aftertaste”, “On My Mind”, “Don’t Need Nobody”, “Devotion”