O minimalismo da Adele em 25

Que o retorno da Adele é um sucesso, isso é inquestionável. O que surpreende é o que o retorno está sendo muito mais surpreendente e rentável do que podia se esperar. Diariamente as previsões de vendas são revistas e o número surpreende a cada novo dado oficial anunciado.

O novo disco da Adele, o 25, já faz parte da lista dos álbuns mais bem-sucedidos da história da música. Nos Estados Unidos o novo trabalho vendeu mais de 1,9 milhão de cópias em apenas 2 dias! DOIS DIAS!

Escrever sobre o 25 não é uma tarefa fácil. Desde que a cantora, enfim, anunciou o seu retorno a gente vem sendo metralhado de informações, notícias, vídeos e tudo o que é possível sobre a cantora. São, também, opiniões diversas vindo de todos os lados.

 

 

O disco caiu na rede dois dias antes do lançamento oficial e “quebrou” a internet. Todos queriam saber o que ela tinha preparado e quantas caixas de lencinhos de papel seriam necessárias para ouvir o disco inteiro se afogando em lágrimas. Das onde faixas, até o lançamento, a gente só conhecia duas na íntegra: Hello e When We Were Young. Das demais somente um preview liberado pela própria Adele.

Neste final de semana, o de lançamento do disco, dei uma circulada em algumas livrarias/lojas de cd aqui em São Paulo e era unânime: Adele em destaque em todo lugar. Nas prateleiras lotadas – e algumas já com poucas cópias – e a trilha da loja era só uma. Parecia uma lavagem cerebral. E o preço de 25 bem convidativo – R$ 24,90, em todas as lojas consultadas – aumentando drasticamente as chances de ser o presente favorito do amigo secreto deste ano.

 

 

Escutei o disco inúmeras vezes. E a maior conclusão que chego a respeito dele é que tudo varia com seu estado de espírito e o quanto você está disposto a abrir o seu coração. Algumas críticas por aí indicam que o álbum é cansativo. Mas cansativo pra quem? Apesar da cantora não se arriscar em novos territórios musicais o disco é Adele 1000%. É exatamente o que se espera dela: letras poderosas e pessoais, além de uma voz incrível e notas perfeitas que chegam a soar ridículas tamanha qualidade vocal da execução.

Uma das coisas que mais gosta da Adele é a consciência profissional que ela tem. Basta ver suas apresentações e perceber o quão envolvida e concentrada ela está. Ela sabe a diva que ela criou e usa isso da melhor maneira possível. Mas quando ela está dando uma entrevista todo o carão se converte numa menina histericamente engraçada e que sempre rende momentos mais do que descontraídos.

Não havia faixa melhor para abrir o disco do que Hello. E a estratégia de lançar a música na TV, apenas com a letra da música na tela, foi o suficiente para o mundo cair de amores e consagrar o retorno. Uma letra poderosa, de quem ainda tem que resolver pendências do amor inspirador do disco anterior, o 21, mas que seguiu em frente.

Send My Love é a prova de que as coisas passadas precisam ser superadas. Sem dúvida uma das melhores faixas do disco e composta pela Adele com a ajuda de um maiores nomes da indústria. Max Martin já compôs tanta música de sucesso … vai de Britney, em Baby One More Time, até as recentes Bad Blood e Blank Space, da Taylor Swift. A melodia da música faz a gente querer cantar e é viciante. Sabe aquelas músicas que quando a gente ouve quer que seja single? Pois bem. #AdeleFicaDica

“Send my love to your new lover
Treat her better
We’ve gotta let go of all of our ghosts
We both know we ain’t kids no more” (Send My Love – Adele) 

Em I Miss You Adele quer ser tratada de forma doce, mas ser tocada com pegada! As batidas da bateria ajudam a criar um clima quase que sensual para canção. Ela quer mais e mais. “We play so dirty in the dark“. Com certeza é um ponto alto do disco. A faixa foi composta junto com Paul Epworth. O produtor inglês que já ganhou inúmeros prêmios Brit Awards de produtor do ano e que produziu Skyfall – sucesso que conquistou o Oscar em 2013. Ele também assina a produção de I Miss You. 

When We Were Young me fez chorar. Desde a primeira vez que ouvi, quando a própria Adele divulgou o vídeo em seu canal oficial. A faixa parece ser o segundo single do disco, mas não teve anúncio oficial. Mas as cantora tem apresentado a faixa em suas apresentações na TV. Me arrepia as notas que ela alcança. Quando já tá alta, ela sobe ainda mais. Justo quando eu tô conseguindo me recuperar, ela me joga no chão de novo!

 

Remedy é uma outra canção maravilhosa. Composta também pela Adele agora com a ajuda do Ryan Tedder. Pra quem não associou nome à pessoa o cara é o vocalista do One Republic. Um dos mais procurados para compor neste mundo! A faixa traz Adele sendo acompanhada por um piano e é outro tapa na cara. Aliás é o próprio Ryan quem toca o piano nesta música!

“When the pain cuts you deep
When the night keeps you from sleeping
Just look and you will see
That I will be your remedy” (REMEDY – ADELE) 

Pra sair do clima melancólico e dos lencinhos de papel limpando as nossas lágrimas a gente vai para Water Under The Bridge. Chiclete. Deliciosa. Traz batidas modernas e que quebram a sequência melosa da Adele, mas que a gente ama! haha! 

River Lea mantém um ritmo ao disco, mas tô na dúvida. Ouvi, ouvi de novo, mas por enquanto está na lista das esquecíveis. Pode ser que um dia seja uma música que me faça morrer de amores, mas isso não aconteceu agora. Diferente de Love in the Dark. Adele abusando do vozeirão e a faixa vai crescendo conforme vai avançando. Vai ser ótima para os shows, para o bloco das faixas mais intimistas. A cantora canta os sentimentos que vem e vão depois que um relacionamento acaba. Rainha da sofrência, né?! O pior é se identificar tão fortemente com as músicas. 

Ai a gente vai pra outra daquelas AI MEU DEUS DO CÉU. Million Years Ago foi uma das músicas que a cantora apresentou no seu especial para BBC, na sexta passada. Se perdeu, clica aqui porque é uma obra-prima. Uma voz e um violão. Lembranças de uma vida. Coisas que não voltam mais. E faz a gente relembrar das nossas próprias vivências. Do que você sente falta? Tem coisas que ficaram no passado e que, de fato, parecem que foi “há mil anos”.

“I miss the air, I miss my friends
I miss my mother; I miss it when
Life was a party to be thrown
But that was a million years ago” (MILLION YEARS AGO – ADELE) 

Outra só no piano. All I Ask é a parceria da cantora com Bruno Mars na composição, ainda somada a Philip Lawrence e Christopher Broody Brown. Adele pede para que a última possível noite de amor seja cheia de momentos que possam ser marcados para sempre. O que acontece nessa noite pode determinar se ela será capaz de amar novamente. O piano com a voz fica algo tão pessoal que parece que nesse momento da vida dela é pra gente que ela tá pedindo para ter bons momentos. Chega mais Adele! 

adele

O disco fecha com Sweetest Devotion. Se no disco anterior Adele chorava as pitangas por conta do relacionamento “traumático” mas que transformou a sua vida e carreira, agora Adele canta o amor pelo filho – que nasceu há três anos. Angelo ganhou até tatuagem da mamãe. Em uma das mãos da cantora pode-se ler o nome do filhote. A canção finaliza o disco um pouco mais pra cima, mas ainda exalando o amor. É o que fica.

O que fica pra gente é que Adele se tornou em um dos maiores ícones da nossa geração. Não há dúvida que seu disco vai continuar vendendo horrores. Mesmo que não faça turnês para divulgar o trabalho, como de costume, vai frequentar os charts por um bom tempo, marcar seu lugar nas principais listas, quebrar alguns recordes e fazer muita gente suspirar.

Não há dúvidas sobre a qualidade e excelência do trabalho. Como disse no começo, pode ser que existam aqueles que não curtam o disco. Ouvir Adele é uma questão de momento. Estado de espírito. Funciona quase como um livro de auto-ajuda. Você ouve, se identifica, ama, depois odeia. Se uma das canções entrar na trilha de alguma novela então. Mas aqui é tudo baseado no amor, na voz, no talento… não há o show, não há o espetáculo, não há as super produções… a estrela dela é muito maior. Viva o minimalismo.

Nota: 90/100.

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