O Vinil Virtual da rainha!

Num toque de maestria, Daniela Mercury nos apresentou na última semana, um dos melhores álbuns de sua carreira: Vinil Virtual

 

Capa_Digital_DM_Vinil-Virtual

 

Se deixarmos de lado toda as impressões que temos da pessoa dela, e focarmos somente no que ela produz como artista, chegaremos a conclusão de que Daniela é a artista que mais representa a música brasileira, não só no Brasil, mas no mundo! E não reconhecer isso, chega a soar ignorante!

Numa mistura de tudo o que ela já fez em álbuns anteriores, Daniela assina as 15 faixas do disco!

“Os compositores que mandaram canções para mim não traduziram o que eu queria dizer nesse momento”.

É festa, é amor, é Brasil, é mundo, é axé, axé, axé! 

A Rainha do Axé (A Rainha Má) – numa brincadeira já mostrada no período do último carnaval baiano, Mercury nos deu uma prova de que rainha que é rainha, se impõe. Apesar de tudo, se prestar atenção, verá que há várias reivindicações “escondidas” na letra dessa música, no que diz respeito à religião, política, feminismo…

“Abaixo do Equador tem sexo, violência e carnaval.” – Canta ela.

Maria Casaria – aqui ela musica o amor pela esposa Malu Verçosa Mercury. Num ritmo gostoso, e que, se encarada sem o tal do preconceito, fará várias Marias dançarem e se sentirem desejadas por aí. E falando no tal do preconceito, sabe o que a Dani disse?

“Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiração pra cantar.”

 

Um adorável dia de outono em Nova York! #danielamercury #rainhadoaxe #rainhama #vinilvirtual

A post shared by Daniela Mercury (@danielamercury) on

 

América do Amor – nessa faixa, ela derrama sobre acordes maravilhosos, todo o desejo de ver e sentir um mundo unido e amado. É uma verdadeira manifestação de paz e amor, como proposta por ela. Impecável!

Alegria e Lamento – os primeiros 42 segundos da música já conseguem nos deixar emocionados, mas é depois deles que sentimos o clamor da Daniela por uma benção. Aqui é uma relação de amor entre ela e Salvador. Mas olha, só vai sentir o que ela quer passar de verdade, quem nasceu naquela terra! Vale até fazer os soteropolitanos pensarem no motivo pelo qual eles a rejeitam hoje em dia. Não há artista nesse Brasil que os represente de forma tão completa, nem os clássicos Caetano, Gil e o restante da trupe, tão pouco as divas Ivete e Cláudia.

 

 

Tô Samba da Vida – e quem cantar MPB e não colocar o pé no samba, não é da MPB! Super válido ouvir a Daniela cantando pelo samba!

Sem Argumento – a voz e violão que ficará perfeita se embalar um casal gay numa dessas novelas do horário nobre. Só pra mostrar que não há argumentos contra o amor! E sim, ela fez essa para a atual esposa dela! Mas pode ser pra qualquer tipo de amor. Não há argumentos contra o amor!

Frogs In The Sky – E tem música brasileira cantada em língua estrangeira também. Porque nossa música é universal!

De Deus, de Alah, de Gilberto Gil – a junção de dois fortes representantes da nossa música, mas olha, é Salvador que grita aqui! Você vai escutar e saberá no que deu. Eu quero ver/ouvir isso no carnaval de Salvador!

Estranhos Terrestres (Aperto de Mente) – Mercury coloca pra fora tudo o que está em conflito dentro de sua cabeça, e causa uma confusão em nossa cabeça. Mas olha, nada caberia melhor. Essa faixa é um verdadeiro aperto de mente. Pra quem diz que o axé só se faz de “joga as mãos pra cima”, quero ver entender o que ela canta nessa música! #desafio

Antropofágicos São Paulistanos – aqui ela celebra São Paulo. Curiosos?

“Antropofágica, tecnológica e soberana.”

O Riso de Deus – depois de ter cantado pra Salvador e São Paulo, ela tinha que presentear o Rio de Janeiro.  A suingue da black music trouxe a Daniela pro Rio. Se prestar atenção, ouvirá umas facadas soltas por ela em meio à todo o ritmo carioca!

"Rio, pra quem não sabe sou Rio, a cantar"

A post shared by Daniela Mercury (@danielamercury) on

Vinil Virtual – lembra da faixa Estranhos Terrestres? Essa aqui pode ser uma continuação dos experimentos soltos pela Daniela em algum caderno particular. Sabe o que tem de legal nessa?

“Todos os genes são iguais, nós somos todos iguais!”

Vinil Virtual #vinilvirtuallibertario #vinilvirtual #danielamercury #atitude

A post shared by Daniela Mercury (@danielamercury) on

Três Vozes – num retorno à Salvador, ela vem e nos fala, grita, emociona, e expele todo o sentimento que puder despertar, numa canção sobre/para os mais famosos e respeitados blocos afros do carnaval baiano: Ilê Ayê, Didá e Olodum. Quem já teve a oportunidade de acompanhar esses blocos nas avenidas de Salvador, saberá como a música conseguiu representar o que eles fazem por lá!

Minha Mãe, Minha Pátria – numa brasilidade pura, Daniela mistura o axé, o samba, o rock e o funk, num jogo de palavras energizante, pra falar do seu amor pela nação brasileira.

Senhora do Terreiro (Mãe Carmem) –  aqui, ela manda um axé para a ialorixá Carmem Oliveira da Silva, filha e espécie de sucessora da ialorixá conhecida como Mãe Menininha do Gantois na hierarquia do Candomblé da Bahia. Se você lembra da faixa Cinco Meninos, lá do álbum Canibália, saberá o ritmo dessa aqui antes de escutá-la.

E tudo isso é ela, Daniela! Uma das maiores artistas vivas que temos, e que nos representa como nenhuma outra lá fora. A voz dos gays, a voz dos pobres, a voz dos esquecidos, a voz das mulheres, dos homens, das crianças, dos negros, dos brancos, amarelos, índios… a voz do Brasil!

80/100