Cazuza: o poeta continuará vivo…

Por meio de suas letras que falavam de amores vividos ou não correspondidos, de suas críticas ao sistema governista da época ou até sobre suas reflexões sobre a vida, Cazuza continuará vivo em nossa memória.

Agenor de Miranda Araújo Neto, como foi batizado, só se reconhecia como Cazuza, apelido dado ao nascer – não respondia nem as chamadas na escola, por exemplo. Era fã de Cartola, e ao descobrir que seu nome verdadeiro era também Agenor (Angenor, por um erro de cartório) passou a se identificar com seu nome.

Além de Cartola, Cazuza também era fã de Dalva de Oliveira e Maysa, por exemplo, daí sua voz e melodias melancólicas.

Por volta de 1965, começava a escrever algumas canções e poemas que mostrava a sua avó.

Seu pai, João Araújo, grande produtor musical e fundador da gravadora Som Livre, responsável por nomes como Xuxa, Gilberto Gil, Ronnie Von, Nara Leão e Lucinha Araújo, mãe de Cazuza e também cantora que por sua vez chegou a gravar três discos, eram uma grande influência na construção de sua carreira.

No fim dos anos 70 iniciou sua vida profissional trabalhando na gravadora do pai, trabalhando no departamento artístico inicialmente e depois na assessoria de imprensa.

Sua vida artística dava início em 1980 quando o cantor entrou no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, onde pela primeira vez cantava em público. O cantor e compositor Léo Jaime, na mesma época era convidado para integrar uma nova banda, ao recusar indicava Cazuza, dava início então a uma das maiores bandas do rock brasileiro, o Barão Vermelho.

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Cinco anos após, viria uma das apresentações mais icônicas da história do Rock in Rio, quando o Barão Vermelho, ainda com Cazuza se apresentava em meio ao fim da Ditadura Militar e a eleição de Tancredo Neves para presidente.

Anos antes em um show no Canecão, Rio de Janeiro, o cantor Caetano Veloso apontava para Cazuza em meio a plateia e o chamava de Maior Poeta da Geração.

Em 1985 ainda, Cazuza deixava o Barão Vermelho para seguir em carreira solo. Em agosto do mesmo ano, o cantor foi internado para tratar de uma grave pneumonia. Por pedido do mesmo, foi realizado alguns testes em seu sangue a fim de detectar uma possível infecção por HIV. O exame viria a dar negativo.

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Ainda em 1985 era lançado seu primeiro álbum, o Exagerado. Foram lançados então mais seis álbuns: Só Se For a Dois (1987), Ideologia (1988), O Tempo Não Para (1988), Burguesia (1989) e Por Aí (1991).

Em 1987 Cazuza foi mais uma vez internado, e seu teste de HIV teve resultado positivo desta vez. Chegou a ser levado aos EUA para ser tratado por uma droga experimental.

O tratamento não teve o efeito esperado e então o cantor e a família voltaram ao Brasil. Em 1989 em uma entrevista ao jornalista Zeca Camargo, Cazuza declarava publicamente seu estado de saúde.

O álbum Burguesia foi gravado com o cantor já em cadeira de rodas, totalmente enfraquecido pela AIDS.

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Em julho de 1990 morria então um dos maiores poetas que a música brasileira já ouviu.

Em 2015 completou 26 anos de sua morte precoce. Hoje, dia 01/12, dia mundial de combate à AIDS, o cantor é mais uma vez lembrado. Sua luta incansável pela vida, ainda na época, reacendeu na sociedade o cuidado com a vida e os perigos que o contágio pelo HIV poderia trazer.

Sua família fundou em 1990 a Sociedade Viva Cazuza, destinada a amparar e apoiar crianças soropositivas proporcionando a elas uma assistência à sua saúde, educação e lazer.

Para saber mais sobre a iniciativa nobre de sua família acesse o site, onde você pode também contribuir com o projeto.

Visite também o site oficial sobre Cazuza, a fim de saber mais sobre sua vida e sua obra.

 

 

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