Os Tribalistas já sabem namorar

Viva à Black Friday!

Foi graças a essa sexta-feira de promoções que eu me deparei novamente, depois de anos, com esse disco que é uma obra-prima. Caminhando por uma livraria vi o disco, em CD, numa promoção inacreditável. O disco estava custando a bagatela de R$ 4,99! Impossível não trazer para casa…

Fiquei pensando o porquê que eu não tinha essa disco e por que ele caiu no meu esquecimento, mas quando coloquei no player e as canções vieram na minha cabeça e filmes passaram na minha memória.

Eu tinha 15 anos quando os Tribalistas lançaram seu primeiro e, infelizmente, único disco até hoje. A ideia da junção do trio aconteceu muito por acaso. Marisa Monte foi gravar uma participação no disco de Arnaldo Antunes, que estava sendo produzido por Carlinhos Brown e ali começaram a compor juntos. Tiveram outros encontros e viram que tinham um repertório que poderia ser gravado pelos três.

Foram apenas 13 dias de gravação, no estúdio na casa de Marisa e eis que, de repente, o mundo foi presenteado por um dos discos nacionais mais legais de todos os tempos. Vencedores de prêmios em diversas partes do mundo, incluindo o Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo Brasileiro.

“Os tribalistas já não querem ter razão. Não querem ter certeza, não querem ter juízo nem religião” tRIBALISTAS – Tribalistas

Uma tristeza sobre os Tribalistas? O fato de nunca ter tido uma turnê, um segundo disco. Foram apenas três apresentações e nada mais.

Além da poesia das composições do trio, Tribalistas – que também é o nome do disco, traz a colaboração de nomes como Davi Moraes, Pedro Baby, Margareth Menezes e Cezar Mendes. O disco conta ainda com um registro que foi lançado em DVD, das gravações na casa da Marisa, com depoimentos e videoclipes das faixas.

Quem não se lembra da lavagem cerebral que foi ouvir Velha Infância nas rádios, na tv, em todo lugar? Mas não há como negar: apesar de toda breguice que o romantismo traz, a faixa é uma obra-prima. A melodia faz a gente viajar numa poesia que fez até com que a voz de Arnaldo Antunes, às vezes cansativa, encaixasse perfeitamente.

A sonoridade do disco é deliciosa. Beira ao ridículo e a gente ri da gente mesmo, porque a gente se identifica. Tão gostoso cantarolar com eles. É divertido, é romântico, é poético e é “cabeçudo” também.

13 anos se passaram do lançamento deste disco e será que um dia vamos ter uma continuação? Bem improvável, mas vai que… inspiração eles têm com toda certeza e, pelo menos, a essa altura eles já sabem namorar!

Ouça aqui e mate a saudade!