Eu não tô de Bowie

Essa foto aí que abre o post eu tirei há pouco mais de um ano e meio, em Brixton, bairro onde nasceu David Bowie há 69 anos. Naquela e em tantas outras ocasiões jamais podia imaginar que ali viraria o centro das homenagens por conta da sua inesperada morte, no domingo.

Na semana passada escrevi aqui no site minha review sobre o último disco de David Bowie, o BlackStar, lançado na última sexta-feira. E terminei o texto fazendo um pedido: “Bowie, a gente nunca te pediu nada! Volta!“. Naquele momento eu me referia ao meu pedido de fã para que ele voltasse a fazer shows. Mas com lágrimas escorrendo hoje o meu pedido é muito maior.

BowiePerdi alguém que parecia fazer parte da minha família. Chorei como se tivesse perdido um tio querido. Lágrimas e lágrimas rolaram a cada homenagem, reportagem que eu via sobre a morte dele. E os olhos ainda estão marejados. Querendo que sua passagem desse mundo para um outro plano fosse mentira. Bowie é daqueles que a gente jamais gostaria de imaginar que morreu. Minha segunda-feira foi caótica. Meus compromissos pareciam não fazer nenhum sentido. Não conseguia não sentir nada ou isolar o sentimento. Ele está (va) presente o tempo todo.

Quando recebi a notícia da morte eu estava ainda dormindo. Me acordaram para me falar e eu quase saltei da cama. Fiquei surpreso. Não tinha entendido direito e não queria acreditar. Peguei o celular e a notícia estava na capa de todos os sites. Não tinha jeito pior de começar o dia, a semana. Bowie não está mais entre nós?

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David Bowie era do tipo de artista que transcendia todas as esferas imagináveis da criação. Uma grande inspiração para tantas e tantas pessoas, nas mais varias áreas possíveis.  Um mito. Um ser incomparável. E não há ninguém na lista de possíveis candidatos a ser o novo “Bowie”. Vi uma reportagem na TV em que o colunista e jornalista musical Nelson Motta diz que Bowie não era um camaleão. Pois o camaleão absorve sua cor e volta depois com a mesma camuflagem. Bowie era diferente. Absorvia suas cores e emitia novas. E isso faz todo o sentido. Como pode um cara conseguir ser tão relevante, criativo, instigante, misterioso e influente como ele?

bowieNão é exagero pensar e falar que Bowie era um ícone completo, um estilo de vida. Sua aparência, seu estilo, suas roupas, sua postura, suas caras e bocas, suas músicas… tudo era parte de um pacote que se completava e que estava sempre a um passo à diante. Anos atrás o famoso museu Victoria & Albert Museum, de Londres, apresentou a famosa exposição sobre o cantor que veio adaptada ao Brasil, no início de 2014. O diretor de museu, na época, disse que “Bowie é um ícone de estilo e, entre todos os habitantes do planeta, um dos mais fáceis de reconhecer instantaneamente.” David era e sempre será único.

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Nada neste mundo vai conseguir ser suficiente para mensurar o impacto cultural de Bowie na história e como ele ainda vai influenciar toda a cena musical, criativa, o design, a arte, a moda… Sua expressão é incalculável e será lembrada por anos e anos.

A gente só tem que agradecer por ter vivido neste mundo na mesma época que ele. Essa frase, por sinal, está rodando a internet. E é a que melhor resume toda a importância desse cara. Obrigado Deus por ter feito com que eu tivesse tido a chance de estar aqui e apreciar a obra dele.

Bowie, Where Are We Now? (Onde nós estamos agora?). Eu preciso de um lenço.

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