Funk: Tem coisa que tá na hora de parar!

Ahh o Brasil e sua diversidade cultural. Em sua imensidão a cultura varia, o que em algumas regiões do país se faz, em outro é diferente. E não adianta, conflitos culturais, onde gostos e costumes são questionados por compatriotas é inevitável.

Muitas vezes questionamos o gosto musical do amiguinho que mora no norte do país (ou sul se você morar mais ao norte), mas não temos uma noção branda de que aquele estilo musical é o predominante naquelas regiões.

Mas às vezes criticamos e com muita razão! E é o que tô fazendo com esse textinho (ou textão se você tiver preguiça de ler).

Aqui no estado de São Paulo, um estilo musical (se é que se pode chamar assim), vem predominando bailes, baladas e carros com motoristas de PÉSSIMO gosto musical.

E não, não é o sertanejo, do qual já conversamos sobre, aqui. É uma peculiaridade do funk. E não, não é aquele funk saudoso e cheio de grooves e poder que nomes como James Brown criou e hoje Janelle Monae leva adiante com muita garra e talento.

Falemos aqui sobre as vertentes do funk criado aqui, o funk carioca e o chamado “ostentação”.

O Funk  e suas origens

Surgiu nas favelas e periferias cariocas como uma expressão artística. Misturava em suas produções elementos até então poucos utilizados na música nacional como Miami Bass e o Freestyle. Teve sua explosão na década de 1980, passou por altos e baixos e hoje é um estilo de vida, cultura e expressão altamente inseridos em nossa sociedade. Suas letras podem falar de coisas absurdas a acontecimentos cotidianos da realidade de seus locais de origem, ou seja, muitas vezes retratam a realidade das favelas, das periferias, dos moradores de áreas mais pobres.

O Funk então passaria por algumas mudanças e chegava à São Paulo. No estado o estilo ganhou ares de grandeza e nada em sentido contrário ao seu irmão mais velho e carioca. Chamado de Funk Ostentação, passou a ganhar MC’s e cantores (cof, cof) que tentam retratar aquilo que nunca viveram. Ou seja, viviam uma realidade alternativa em suas músicas, videoclipes e afins.

O “X da questão” aqui abordado, o ponto onde quero chegar é quando a liberdade e acessibilidade proporcionada a muitos “MC’s” acaba prejudicando todo um movimento. Quero dizer: muita gente que se acha o MC, criando “músicas” com o que lhe vem à cabeça (se sentindo um Jay Z) e daí na grande maioria o que nasce são letras absurdas!

Letras machistas, cheias de conotações sexuais bizarras, apologia ao crime e violência, homofóbicas.


“E os menor preparado pra foder com a xotas dela”

Me ofenderia com letras como essa, com vídeos como esse, se eu fosse mulher. E é impossível aceitar que você como mulher, aceite e curta algo desse tipo.

Isso sem contar com a obsessão por menores de idade:

Acho que não necessito me aprofundar mais ainda na misoginia que é o motor pra essa músicas pavorosas. Até porque não aguentaria ouvir mais músicas dessas pra ter o que falar sobre.

Letras vazias, bases de gravações idênticas, “cantores” sem talento algum.

Queridos “MC’s” que tal vocês reverem seus conceitos sobre “música” e mais especialmente sobre “funk”. Como dica vocês poderiam aprender algo com essa moça aqui:

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MC Carol

MC Carol é destaque nos bailes funk do Rio de Janeiro. Ganhou fama ao participar do reality show Lucky Ladies exibido pelo canal à cabo Fox Life. Por meio de suas letras escrachadas e sem pudor algum, Carol conta um pouco de sua realidade humilde nas favelas do Rio.

Fala sobre empoderamento feminino, dificuldades da mulher negra e pobre e até sobre história do Brasil:


 

Eu poderia me estender sobre as contribuições de MC Carol e de outros e outras MC’s que assim como ela, fazem do funk uma expressão cultural SIM, onde o que manda é a preocupação com a realidade onde vivem. Pessoas que são originais a frente das câmeras, em cima dos palcos e na vida pessoal.

Aquilo que eles cantam e dizem condizem com sua verdade.

Talvez há um outro caminho a trilhar para todos, mas por enquanto, para alguns, tá na hora de parar.