O Axé de Salvador! [Parte I]

Estamos durante a maior festa  popular do planeta, e aqui no Brasil, é impossível pensar em Carnaval e não lembrar de Salvador, com todos os seus cantos, encantos e axé, numa mistura fascinante entre o sagrado e profano. Muito se fala sobre esse estilo musical, mas será que conhecemos a história dele? Vamos falar um pouco sobre o axé em dois posts especiais, e nesse primeiro, falaremos sobre o seu surgimento.

foto-painel-salvador-carnaval-farol

 

O nome “axé” significa energia, poder ou força que cada um ou cada coisa possui, dentro da linguagem Iorubá (idioma da família Níger-Congo, falado no sul do Saara – África). Também usado como saudação nas religiões umbamda e candomblé, o que significa energia positiva e representa a energia sagrada dos orixás. Logo, pode-se desejar felicidades e coisas boas às pessoas. Para representar o gênero musical, foi incluída a palavra “music“, pelo jornalista Hagamenon Brito, que remete à música dançante com influências internacionais.

Para falarmos da axé music, temos que voltar à década de 50, e mencionar as guitarras elétricas que invadiram os carnavais de Salvador. Foi quando Dodô e Osmar começaram a tocar o frevo pernambucano em rudimentares guitarras elétricas (batizadas de guitarras baianas), em cima de uma Fobica (um Ford 1929).

 

Surgiu então o trio elétrico, e tornou-se famoso quando Caetano Veloso lançou a canção “Atrás do Trio Elétrico“, em 1968.

 

 

Logo, Moraes Moreira (Novos Baianos) subiu num trio (que era apenas instrumental) para cantar, dando início ao movimento que vemos hoje. Paralelo à esse processo, aconteceu a proliferação dos blocos-afro: Filhos de Gandhi (tendo Gilberto Gil como participante), Badauê, Ilê Ayê, Muzenza, Araketu e Olodum. Eles tocavam ritmos africanos como o Ijexá, brasileiros como o maracatu e o samba e caribenhos como o merengue.

 

Olodum surgiu nesse movimento, trazendo a cadência e letras de canções do Bob Marley, criando um ritmo próprio que misturava Axé, música latina, reggae e também música africana. Estilo que se propagou pelo Brasil na década de 80.

 

Em 1985, Luiz Caldas e Paulinho Camafeu, juntaram o frevo elétrico dos trios e o ijexá, fazendo surgir o “deboche”, que rendeu em 1986 o primeiro sucesso nacional daquela cena musical de Salvador: Fricote, gravado por Caldas. A modernidade das guitarras se encontrava com a tradição dos tambores.

 

Nascia uma nova geração de estrelas no Brasil: Lazzo, Banda Reflexus (do sucesso Madagascar Olodum), Sarajane, Cid Guerreiro (do Ilariê, gravado pela Xuxa), Chiclete com Banana, Banda Cheiro de Amor (que trazia Márcia Freire e Margareth Menezes). E a banda Olodum, que conseguiu alçar voo internacional desde aquela época, participando do disco The Rythm Of The Saints, do Paul Simon.

 

 

 

Já na década de 90, a axé music avança em direção ao pop, com o Araketu injetando eletrônica nos tambores. No mesmo ano, Daniela Mercury lançava O Canto da Cidade, fazendo o Brasil se render ao axé. Aberta a porta, vieram Asa de Águia, Banda Eva, Bamdamel, Ricardo Chaves e outros nomes.

Ainda incorporaram o repertório das bandas de pop rock, fazendo nascer a marcha-frevo, transformando sucessos como Eva (Rádio Taxi) e Me Chama (Lobão) em combustível para a folia.

 

 

Querendo resgatar o som dos timbaus e buscando alternativas criativas para o gênero, Carlinhos Brown liderou um grupo de percussionistas e vocalistas chamado Timbalada, cuja música “Meia Lua Inteira” havia estourado na voz do Caetano Veloso. Paralelamente à banda, Brown lançou dois discos solos – Alfagamabetizado (1996) e Omelete Man (1998). Outros nomes então surgiam: Jammil e Uma Noites, Netinho, Bragadá e outros.

 

 

Mas após a década de 90, o gênero perdeu forças, e hoje em dia, os artistas que compõem o mesmo, tentam resgatá-lo, estamos tendo a chance de ver uma nova ascensão da chamada “Rainha do Axé”, sabem do que estou falando? Vocês descobrirão no próximo post. Enquanto ele não chega, curtam a nossa playlist especial com os maiores hits que deram início ao movimento da axé music: