Salvador: A cidade da música! [parte II]

Ontem, falamos sobre O Axé de Salvador! [Parte I], seus  principais artistas e músicas. Falamos de como ele chegou ao auge, causando impacto no mercado fonográfico brasileiro e alcançando uma pequena parcela no mercado internacional também.

Michael-Jackson-Brasil

 

Dando sequência aos posts sobre a Axé Music de Salvador, hoje embarcaremos na influência do gênero na formação da identidade da capital baiana.

 

rainhasO Axé teve seu declínio nos finais dos anos 90. A que se deu esse enfraquecimento? Muitos atribuem isso ao atual poder da música “sertaneja”, do funk, e até mesmo ao fato de já não termos artistas que consigam representar a Axé Music da maneira apropriada, enraizada. Mas eles estão por aí. Atualmente, se observarmos a reflexão da sociedade no movimento do axé, podemos concluir que as mulheres são as que estão em evidência, e elas tem a missão de reerguer o gênero.

De um lado temos a Ivete Sangalo, que consegue chegar a qualquer lugar com sua simpatia, talento e primorosidade. Advinda da Banda Eva, a cantora coleciona prêmios de música brasileira, parcerias internacionais, participações em festivais internacionais importantes como o Rock In Rio, e muito mais.

Do outro, Cláudia Leitte segue como a mais recente propulsora do estilo. Em meio à uma relação de amor e ódio, a cantora conseguiu se firmar na carreira solo, após a saída do grupo Babado Novo. A cantora incrementou a percussão e timbaus do axé com batidas eletrônicas, shows de produções que remetem aos shows das divas pop internacionais, com hits espalhados pelo Brasil e agora também exterior, isso porque a cantora assinou contrato com a gravadora do Jay Z [Roc Nation].

E como esquecer da nomeada Rainha do Axé, Daniela Mercury? Não teria sido por acaso, afinal ela foi a principal fomentadora do estilo fora de Salvador. Dona de uma prepotência medida, que soa como arrogância para as pessoas que não acompanham seu trabalho. Mercury representa não só a música baiana, como a brasileira em qualquer lugar do mundo. Dona de hits, prêmios, ousadias – a cantora levou trio eletrônico para o carnaval de Salvador, assim como artistas plásticos, pianista, dança, fala o que pensa com propriedade, assumiu homossexualidade e lançou seu álbum novo, que já teve review feita aqui: O Vinil Virtual da rainha! , além de ser defensora de causas sociais importantes para a sociedade como a causa LGBT. E é ainda o nome mais forte da verdadeira cultura baiana fora da Bahia.

O fato é que Salvador respira música! Ela está em todos os becos e vielas da cidade. As crianças de lá já nascem no ritmo do axé, e apesar de termos outros representantes da música baiana, em outros seguimentos como o rock [Pitty, Maglore, Vivendo do Ócio] e a MPB [os imensos Caetano, Gil, Bethânia, Gal], é no axé que todos se re-encontram!

Isso deu à Salvador o título de Cidade da Música, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura [Unesco].

“Os cantores, instrumentistas, compositores e todos que estão envolvidos com a música merecem este título porque levam a nossa história e cultura para o mundo”, disse em nota o prefeito ACM Neto.

E que possamos ter mais Danielas, Ivetes, Claudias, Dodôs, Osmares, Luizes, Carlinhos, Saulos, Alinnes, Márcias, Bells… Para que valorizemos a música baiana não só no resto do mundo, mas no Brasil e principalmente em Salvador!

AXÉ!