Azealia Banks em Slay-Z, sua nova mixtape!

Ela é polêmica, fala o que pensa doa a quem doer (doendo muito mais em si mesma), expressa seu descontentamento com tudo e todos que lhe incomodam, faz barraco quando acha que tem que fazer e não se diminui por isso e assim é amada e odiada: com Azealia não há meio termo, ou você ama, ou você odeia.

Mas ainda que você odeie a rapper, há de reconhecer seu talento. Azealia ainda pode carregar a peripécia de ser ainda única no cenário atual, ninguém faz o que Azealia Banks faz atualmente.

Ignorada pela gravadora, injustiçada pelo público, carregar todo esse fardo é o preço que a rapper paga por ser quem é sem medo disso.

E tudo isso reflete mas não interfere em seus trabalhos. Audaciosa como toda rapper tem que ser (ou deveria ser), ela mistura sonoridades diferentes (resultado de quando se experimenta trabalhar com produtores novos) em seu novo trabalho, a mixtape Slay-Z. Mixtape essa que teve de ser lançada as pressas pra tentar “conter” os vazamentos.

Grande fã do rapper Jay Z que é, Azealia pensou em homenagear o magnata do rap executando alguns covers e remixes de seus maiores clássicos e nomeando assim seu disco, como já dito, Slay-Z, porém os trabalhos foram tomando outros rumos, a mixtape criando sua propria personalidade e ela acabou criando músicas novas. Ainda bem!

Ainda bem, porque Azealia Banks é uma artista acima de tudo, e como qual deve se expressar e explorar suas inspirações e o resultado até Broke With Expensive Taste (2014) tem sido sem erros.

Slay-Z é aberto com uma faixa que ressuscita o duo Nina Sky (One Hit Wonder de Move Ya’ Body) mas consegue ser bem aquém, fraca. Logo em seguida vem as faixas Skylar Diggins e a parceria com Rick Ross em Big Talk que não decepciona em hipótese alguma.

Mas as melhores faixas (que você DEVE ouvir) são The Big Big Beat e Used To Being Alone, essa última segundo a própria Azealia, não foi totalmente finalizada e curiosamente ainda utiliza um mesmo sample utilizado por Iggy Azalea na faixa My World da mixtape de Ignorant Art de 2011.

O disco se encerra com a impecável Queen Of The Clubs e a arrastada Along The Coast, essa última é uma “amostra” do próximo trabalho de Banks, Fantasea II (sim, aquela ótima mixtape de 2012 terá continuação).

Enfim, uma ótima mixtape que poderia ser melhor planejada obtendo um resultado ainda melhor. Mas é um disco bem a nível de Azealia Banks: ousado, diferente e carregado.

 

Nota: 70/100