O que se passa com a massa?

Hoje, acordei e acessei à Internet, e acabei me deparando novamente com todos os textos e comentários políticos possíveis. Tantos questionamentos e dúvidas, afirmações, julgamentos e tudo o que cabe e não cabe em nosso imaginário estava lá!

Rapidamente me veio à cabeça uma das músicas atuais mais sensacionais que já ouvi! E como sempre, com ela, Pitty! Por isso, vou evitar entrar nesse debate e por o Música Inspira de algum lado político, mas… se há inteligência, haverá discernimento.

A massa

O que se passa com a massa?
Deglutida antes de assar
A massa já mastigada
Sem ter tido tempo de descansar

Que iguaria sem par,
A massa inerte no pote!
Quitute igual não há
A massa entregue à própria sorte

Receita incompleta na massa
Não faz o bolo crescer
Se a massa for triturada,
Que consistência vai ter?

Que massa mais desnutrida
Carece de adubo ou fermento
Quem dera a massa fosse
Manjar do mais suculento

A massa é feita pra saciar
A fome dos que a sabem modelar
Regurgitada pra lá e pra cá
Bota fermento nessa massa, deixa fermentar
Que a regra de ouro se faça
Massa sem adubo não há

O estômago revira com a massa vazia
Não passa de uma ração
Não querem massa indigesta
Não querem perder a razão

Que iguaria sem par,
A massa inerte no pote!
Quitute igual não há
A massa entregue à própria sorte

A massa é feita pra saciar
A fome dos que a sabem modelar
Regurgitado pra lá e pra cá
Bota fermento nessa massa, deixa fermentar
Que a regra de ouro se faça:
Massa sem adubo não há

Sobre a canção, ela já falou:

“Um texto que eu já tinha, e lapidei a métrica para caber na música. Uma reflexão pessoal; como estamos, e para onde vamos? Como vamos? Estamos desenvolvendo senso crítico ou sendo arrastados pela corrente? E aí pintou a analogia com a culinária; a paciência e o cuidado que se tem quando se quer um bolo bem feito, o processo de fermentação, a qualidade e quantidade dos ingredientes. Que resultado se quer da massa, e como ela está sendo tratada para chegarmos nisso? A música tem uma batida mais dura, buscava a sensação de fábrica, a repetição de um operário na indústria, cenas de Tempos Modernos de Chaplin.”

Vale uma análise, né?