Se surpreenda com Solange em seu novo disco

Solange Piaget Knowles ou simplesmente Solange seria talvez a cantora mais subestimada dos últimos dias, talvez até por mais tempo, coisas que acontecem algumas vezes quando você é a irmã de um dos nomes mais poderosos da música.

Solange mais do que muitas cantoras, é involuntariamente cobrada a todo momento, tendo que provar a cada trabalho que pode ser um caminho paralelo ao da irmã, que pode ser ótima no que faz, em sua carreira.

Ela cresceu como artista e principalmente como ser humano e isso é tão óbvio que se imprime em seu terceiro e excelente disco, A Seat At The Table. A intenção da mesma com o disco, talvez não seja mostrar sua maturidade de forma tão tácita, mas é a mensagem que ela nos deixa.

Pensem em todas as fases que fizeram da música R&B uma sonoridade clássica ao longo dos últimos anos. Pensem também nas diversas sonoridades e nos diversos conceitos que são empregados em um estilo que nos últimos anos tem se tornado cada vez mais seleto e por vezes repetitivo. Está tudo aqui.

Solange por meio de sua equipe empregou todo um leque de possibilidades, sonoridades e conceitos diversos de uma forma lógica, aparentemente fácil e de tal forma, que o disco flui muitíssimo bem. Do R&B mais cru e clássico como em Ride, sua primeira faixa, até tons mais modernos e eletrônicos como em Scales, parceria com uma das expoentes dessa fase mais moderna do estilo, Kelela. O cuidado em abordar questões pessoais e políticas, íntimas, libertadoras, também deve ser mencionado – e lhe “garantir créditos”.

Ela pôs a mão na massa, escreveu cada canção, participou da produção de cada uma delas, explorou seus limites vocais e a versatilidade de sua voz. Talvez passe despercebido como os outros discos da artista, mas aqui há uma amostra do melhor que Solange sabe e pode fazer. A Seat At The Table é eficaz, é competente, tem vida própria, vale a pena gastar 51 minutos (duração total do disco) apreciando a obra.

As melhores faixas: Rise, Weary (com vocais adicionais da cantora Tweet), Cranes in The Sky, Mad (sua parceria com Lil Wayne), Don’t Touch My Heart (em parceria com Sampha) e a já citada aqui Scales.

O erro do disco é a utilização, em excesso na minha opinião, de interludes. Quando usados poucas vezes, se torna uma grande ferramenta pra compreendermos o conceito de um disco, quando é demais, pode tornar o álbum um pouco cansativo.

Nota: 85/100

Ouça:

https://open.spotify.com/album/3Yko2SxDk4hc6fncIBQlcM

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