A minha Felicidade Instantânea com o CPM 22!

Ahhhhh CPM 22! Ahhh Felicidade Instantânea!

O ano era 2005! Auge dos meus hormônios! Transição da juventude para a maioridade! Nossa, falando/escrevendo isso deu um peso talvez parecido com o que aquilo de fato representava pra mim. Afinal, vim de uma família que tinha acabado de se desestruturar completamente. Perdi o meu chão. Alguns meses (uns oito, nove) antes dos meus 18 anos completados naquele mês de maio, meus pais tinham se separado. Meu pai havia saído de casa e tudo rolou de uma forma não tão legal, muito menos educada. Brigas, xingamentos e eu, filho único, no meio daquela tormenta e drama incrivelmente traumatizante, principalmente quando se imagina estar vivendo na tal família “Doriana”. Minha mãe dona de casa, eu desempregado (trabalho desde os quinze), então tudo se potencializava à milésima potência, os humores então, nem se fala.

Quando o primeiro single do Felicidade Instantânea, do CPM 22 foi lançado me conquistou ‘instantaneamente’, quase parafraseando o novo do disco. Um Minuto Para O Fim do Mundo era uma tradução literal de todo o momento que eu estava vivendo. Os primeiros versos parecia que tinham saído de minhas anotações pessoais. Tudo se encaixava de forma tão genuína e real. A banda certamente jamais saberá o quanto aquilo fazia sentido pra mim e, com toda certeza, pra tanta gente que acompanhava o videoclipe nas paradas da MTV.

Eu já curtia muito o CPM 22, desde quando Regina Let’s Go estourou. Eles fizeram parte da minha formação musical e foram parte da trilha sonora das milhões de transformações que estavam acontecendo na minha cabeça, no meu corpo, na minha vida. Eu tava muito familiarizado com as músicas, com o som mas nunca tinha os visto ao vivo. Lembra aquela história da família pequena e ‘perfeita’? Pois bem, eu era muito protegido e nunca conseguia sair, fazer nada. Morava num bairro bem pobre e periférico de Carapicuíba, na Grande São Paulo, então pensar em ir à um show, por exemplo, era uma coisa quase irreal. Ou não tinha grana pra ir, ou não se tinha companhia, ou é perigoso. Então já entendeu, né? Quando fiz dezoito anos a banda anunciou um show lá na minha cidade. DESACREDITEI! E foi justamente na época do lançamento do Felicidade Instantânea. Era aquilo que eu queria, que eu precisava. Depois de tanto drama, lágrimas e traumas o que eu mais queria era uma dose daquilo tudo: felicidade instantânea, fosse num show, fosse em doses, fosse em qualquer outro tipo de substância. Fiquei apenas com o show.

Como diz a letra de Irreversívela cada passo que eu dou pra frente, sinto o meu corpo indo pra trás…” era isso. Me sentia exatamente daquele jeito. Engraçado que estou num momento da minha vida que esse trecho me pareceu um completo dêja-vú. Naquela época, doze anos atrás, os tais Pensamentos Negativos passavam e habitavam muito a minha cabeça. Eu também me sentia culpado por tudo o que estava acontecendo. Pra ajudar eu tava naquela idade boa do alistamento militar e não conseguia nenhum tipo de trabalho que me ajudasse a ocupar a cabeça e, também a ajudar a me manter. Me sentia sozinho, culpado, acuado e com perspectivas zero.

O Felicidade Instantânea é um álbum completo. Ele traduziu uma fase da minha vida como poucos. E foi “dentro de você eu procurei a cura para os meus problemas pessoais“, assim dizia a letra de A Cura. Não procurava pela cura, mas sim por uma companhia. Eu tive com o CPM e com o disco. Pra sempre vai figurar entre os meus favoritos de todos os tempos. E à eles, só tenho a agradecer! Fez toda diferença, mesmo!

Ah! Na semana do show que eu menciono aí em cima, eu consegui trabalho! E dali em diante, muito, mas muito coisa mudou, pra sempre!

Vem ouvir essa bíblia do rock nacional!

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