Alice Caymmi despida e com boas parcerias em ‘Alice’

Alice Caymmi

A cantora Alice Caymmi lança nesta sexta-feira (19) seu terceiro álbum, que ganhou o título minimalista Alice, e a gente tá como? Pulando de alegria pois 2018 começou e MUITO BEM!!!

Você quer Pop? R&B? Piano? Parcerias? Quer morrer de amores? Só vem!

Alice Caymmi lança seu disco mais puro

É quase que inevitável falar de alguns cantores e não considerar o peso do seu sobrenome, ainda mais quando o dito o usa também artisticamente. E não dá para ouvir os trabalhos de Alice Caymmi sem considerar justamente sua origem: e a conclusão é que tudo vale realmente a pena.

Saiu nesta sexta-feira (19) nas plataformas digitais o terceiro álbum da carreira da cantora Alice Caymmi. Um disco feito por mulheres fortes e que traz Alice na sua forma mais pura, mais íntima. Aliás o título do novo trabalho reflete justamente isso, o minimalismo que tenta extrair quem a cantora realmente é e quem quer ser. Das nove faixas do trabalho, cinco foram compostas pela cantora que se aprofundou para falar sobre como sobreviver na indústria musical sendo mulher e sobre o aprisionamento da figurino feminina. Alice sempre foi voz forte na música e uma representante do poder da mulher, da sua força em essência.

A faixa Agora é excepcional. Que delicadeza. O que é a voz de Alice ao som do piano? A canção é uma versão de uma música chamada Ancora, da Mina, cantora italiana, que foi lançada no final da década de 70. Atente que não se trata de uma tradução, então não fique buscando comparações ao pé da letra, pois elas não vão existir. Tem dor, tem melancolia, tem um sentimento que chega a quase furar a gente. É realmente tocante. Consigo visualisá-la ao vivo e todo mundo boquiaberto. Vai ser assim. Experimenta ouvir… com o coração e deixe as lágrimas rolarem… sério!

A Estação e Sozinha são outras duas que entram na lista das minhas prediletas. A Estação massacra o nosso coração. A letra de Carlos Rufino é preciosa demais, parece que retira algo de dentro da gente que nem sabemos que existe. Ela começa mansinha e vai crescendo e arrebata a gente! Que arranjo poderoso! Impossível não se identificar com a faixa, seja como for. Quem nunca foi seduzido e o mundo virou de pernas pro ar?

Bem que eu tentei me iludir, achando que seria tudo casual, vem você sorrindo e me revira o mundo, agora vou por onde o teu sorriso me guiar“… a estaÇÃO

Sozinha já tras uma sonoridade cheia de referências de R&B, com elementos eletrônicos. A própria cantora considera a faixa como uma das mais importantes desse novo trabalho. E é. Aponta uma direção artística que muito me agrada e que espero que tenhamos mais coisas desse gênero em próximos trabalhos.

As parcerias que o disco traz são ótimas (falo disso logo mais abaixo). Ouvi o álbum por um pouco mais de uma semana antes do lançamento, por diversas vezes e fiquei com a reflexão de que talvez as parcerias soassem maior que o próprio disco. Pode ser que sim, pode ser que não. Elas realmente acrescentam no material final, mas será que traduz justamente essa pureza que a cantora tanto quer trazer a tona, a sua verdade mais límpida? Tenho dúvidas e ficarei com elas.

Alice Caymmi
créditos: foto por Daryan Dornelles

ALICE E SUAS PARCERIAS certeiras

Um grande nome por trás da magnetutide que é o novo álbum de Alice Caymmi é o da produtora, compositora e intérprete Barbara Ohana. Há uma sinergia muito evidente no trabalho das duas. O resultado foi de primeira e que deixou Alice ainda mais a vontade com o seu trabalho e com a pessoa que quer ser no mundo musical.

“A nossa pesquisa juntas, de linguagem pop, R&B, de música popular daqui e lá de fora, todo esse mergulho resultou em canções e arranjos que tem um objetivo em comum: a construção dessa identidade e do não mais tão personagem meu, e sim, uma identidade do que eu sou de verdade”, sobre a parceria com Barbara.

Outra parceria que deve virar uma das queridinhas do disco é o encontro de Alice com um dos grandes nomes da música nacional em 2017: Rincon Sapiência, dono de um dos melhores discos do ano. Os dois dividem os vocais na faixa Inimigos que foi composta pelos dois com a ajuda da já mencionada Barbara Ohana. Se a gente tiver que falar das minhas favoritas do disco, infelizmente essa não está entre as melhores, mas não deixa de ser uma ótima faixa que aborda a relação de artistas com fama, dificuldades de sobrevivência no meio artístico e as enrascadas que surgem no caminho e querem te derrubar.

Ana Carolina também aparece no álbum. A faixa Inocente foi composta pelas duas e aqui sentimos a falta do encontro das duas vozes. Alice interpreta a canção sozinha. Uma pena, mas é uma faixa delícia. Vale ouvir sim!

Já um tiro muito bem dado é a faixa Eu Te Avisei que traz a parceria com Pabllo Vittar. Todo mundo quer tirar uma casquinha de um dos nomes que mais têm roubado a cena e o bom é que Pabllo também aproveita disso e flerta com diferentes estéticas musicais. As duas saem ganhando. Certamente uma das minhas favoritas do disco, merece e precisa ser música de trabalho. É bastante pop, fala de amor e tem melodia moderna. Surpreende a participação da Pabllo porque foge do esquema quase caricato de algumas de suas canções. Yukê!!!

PLAY

Eu tenho um pouco de receio de discos lançados bem no começo do ano, porque muitas vezes eles são, infelizmente, negligenciados em listas, premiações… parece uma época morta. E digo que vou torcer gigantemente para que isso não aconteça com esse trabalho. Realmente é um disco muito bom e que merece destaque e sucesso nas suas proporções. Alice é ousada, abriu seu coração e deixou pra trás tudo que seus álbuns elogiados e premiados acumulou ao longo da sua carreira. E agora aí está, nua novamente.

Vale o play? MUITOOOOO!